23 de mai. de 2020

Da poetisa Maria Pereira - Dias de Rezar

Fonte - http://albertobastos.com.br/

DIAS DE REZAR


De repente a gente não se afoga. Não existe uma poça d’água. O mar secou. Os poços explodiram. Ou racharam. Então a gente deita no deserto. E todas as águas brotam. Dos olhos. Dos nossos olhos que pedem.

 O Anjo da Misericórdia não resiste. Comparece e fica de sentinela para que a água não deixe de jorrar.

E chega o instante em que sentamos e olhamos em redor. Tudo voltou ao como era. Os rios correm outra vez na direção do mar. Os poços trasbordam. É noite. Perto do amanhecer. E na terra do coração nasce uma outra musica. Uma outra promessa. A gente levanta. E anda.


Maria Pereira

Livro: O vermelho na tarde (2004)


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