Fonte - http://albertobastos.com.br/
DIAS DE REZAR
De repente a gente não se afoga. Não existe uma poça d’água. O mar secou. Os poços explodiram. Ou racharam. Então a gente deita no deserto. E todas as águas brotam. Dos olhos. Dos nossos olhos que pedem.
O Anjo da Misericórdia não resiste. Comparece e fica de sentinela para que a água não deixe de jorrar.
E chega o instante em que sentamos e olhamos em redor. Tudo voltou ao como era. Os rios correm outra vez na direção do mar. Os poços trasbordam. É noite. Perto do amanhecer. E na terra do coração nasce uma outra musica. Uma outra promessa. A gente levanta. E anda.
Maria Pereira
Livro: O vermelho na tarde (2004)
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