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9 de fev. de 2014

Poesia de Pedro Cáceres - Fordismo

Fordismo

Quero reclamar minhas posses
Dia após dia sou esvaziado de mim
Recipiente desnudo de anima
 
Nu em solo estéril
Taxado por versos líricos
Nos oceanos papíricos de Biblos
 
O avesso do Ser
Em apneia[1] forçada
Sou sombra das sombras do passado
Que pronunciou: “nunca mais...”
 
Afogado no Mar de Aral
Subtraído  dividido  subdividido
Sou para sempre experiência
Nunca relação
 
Sou apenas o ISSO de Martin Buber[2]
Sou a coisa da coisificação
Na esteira frenética
De Henri Ford


[1] Filósofo, escritor e pedagogo, judeu de origem austríaca.
[2] Ausência de respiração.

21 de abr. de 2013

Poesia de Pedro Cáceres - Murilo Mendes


MURILO MENDES


Gosto de dialogar com pessoas mortas
Principalmente quando descubro
Que são mais vivas que muitos... vivos

Hoje falei com o poeta Murilo Mendes
Mas antes, disse-me sua biografia:

Murilo Mendes nasceu na aurora do século XX
Murilo Mendes morreu na década de 70

Informação erra – caro biografo – poetas não morrem
Seus lábios – oráculos conjecturais
Suas línguas – fios de fogo
Suas palavras – martelo de Thor

Beijam as páginas de nossas vidas
Lambem – sedentas – a alma de cada leitor
Impõem – violentas – cada golpe de martelo
                                  [em cardíacos corações

Caro Murilo Mendes
Diante de teu Templo Verbal
Concordo com ti – oh poeta!
Nascer é – v e r d a d e i r a m e n t e – muito comprido

>> Murilo Mendes (13/05/1901  a 13/08/1975) - foi um poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo brasileiro.

14 de abr. de 2013

Poesia de Pedro Cáceres - Meu Anjo


MEU ANJO


Vês, meu Anjo!
Meu escarnecimento é afogado de Ingratidão
O enterro embrionário de minha vida Tétrica
Foi tomado de Quimera

Esta pantera que é em mim
A intimidade desnuda de minha própria figura
Imunda de Lama fétida

Sou fera miserável
Que antes de morrer
Quer – também – matar no outro
Todos os sonhos de querer

Beijei-lhe a boca, meu Anjo
Com meu escarro
Afaguei-lhe a duas faces
Com a pedra cortante na mão
Para não esperar
A véspera
Pois esta
Muito tarda

(Em homenagem ao aniversário do poeta Augusto dos Anjos  - 20/04/1884 a 12/11/1913)

16 de mar. de 2013

Poesia de Pedro Cáceres - Como escrever bem


COMO ESCREVER BEM
Pedro Cáceres

Deve haver clareza
[Expressividade
Deve haver ordem direta
[Originalidade
Deve haver conectividade de ideias
[Intensidade
Deve haver escolha, Variantes linguísticos
[Textualidade

Começo – meio – fim

Quem disse que a vida é assim?
Quem disse que um texto deve ser assim?

Qual é a lógica desta fábrica de bolos
Molde de massas informes
Mil formas de fôrmas
Apartadas de mim

Começo – meio – fim

Quanta vida foi ceifada sem começo
Quantos sorrisos desembocaram no meio de soluços
Quantos fins findaram sem começos, meios, fins

Professores... desculpem-me
Um texto não deve ter começo – meio – fim
A vida não é assim

Não há coesão textual na vida
Encadeamento semântico
Estruturas sintáticas

As imensidões da vida
Não cabem no reducionismo matemático
Não cabem na fria técnica do aço

Na vida – como no texto
Cabem os descaminhos
Os descompassos
As incoerências

Os fins sem começos
Os meios à deriva
Tudo arremessado
Ao vento

Porém, é certo
Que este poema
Morrer afogado
Na própria
Contradição         

2 de mai. de 2012


MEUS POEMAS

Meus poemas não são apenas sangue
Correrem em suas artérias – doces desejos
Romances – sonhos – amores

São iludidos – perdidos de paixão
São Desesperados – ansiosos...
                                      [c o r a ç ã o

Mas ao acordarem sabem que a vida
É, também, desejo de não

Pedro Cáceres





8 de mar. de 2012

Poesia de Pedro Cáceres


Corpos e Almas

 
Agressividade e sexo sempre andaram juntos
Disse o poeta Bandeira[1]: “...os corpos se entendem, mas as almas não...”
Corpos são primitivos –lugares comuns
Em que os instintos tateiam limites

Sendo observado – do alto da inocência infantil – um casal copulando Parece digladiar em movimentos agressivos e hostis

Despidos de almas resta – aos seres humanos – apenas a carne
Digerida no lixo das desilusões

Expostos em mesas frias de aço – os corpos são experienciados à meia-luz
Em exames lineares – anseiam por prazeres

Almas não se entendem, corpos sim
Almas merecem debruçares complexos... R e l a ç ã o
Vidas inteiras de cuidado e atenção
Merecem muito...

...do pouco de nós mesmos

Pedro Cáceres

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[1] Diálogo com o poeta Manuel Bandeira – Poema: Arte de Amar.