11 de ago de 2012

Poesia de Clóvis Campêlo



ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS


Clóvis Campêlo


Que cada um cuide bem dos seus demônios.
Eu também tenho os meus e os trato a pão-de-ló.
São eles que me ressuscitam para vida quando me sinto sufocado e anestesiado pelos sons celestiais dos anjos que se vendem a prestação em cada esquina da cidade.
Que cada um cuide bem dos seus demônios.
Aproveitem enquanto ainda estão marginalizados e não se tornaram produtos rentáveis explorados pela sociedade de consumo.
Que cada um cuide bem dos seus demônios, pois sem eles seríamos metade, incompletos e não beberíamos na fonte rejuvenescedora da maldade.
Que cada um cuide bem dos seus demônios, explorem a sua pemissividade, a sua falta de pudor, de ética, de moral, pois sem eles jamais saberíamos os limites entre o certo e o errado.
Que cada um cuide bem dos seus demônios, pois sem eles morreríamos de tédio, esqueceríamos os prazeres mundanos, desconheceríamos o lado impuro e podre de cada um de nós.


Recife, 2009

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