1 de ago de 2010

Poesia de Jardel França


CRUZ


Risca-se os céus com um fulgurante rasto dourado de fogo-sabedoria, como emblema vertical e horizontal.

Cobrem-se as águas com a efevercência salutar de luz, cor e fulgor.

Com o fogo e a água construo o que se mostra na terra a quem vê.

A chave mestra da morte e da vida, traçada com pés descalços e os sentidos fixos no ar.

E em teus ombros leves, carregas enaltecido e grato, o peso da tua liberação.

Quem quiser me seguir, que largue a altivez opaca e traga nos ombros os quatro elementos.

Quem quiser ser feliz, que deixe sua pobreza temporal e leve sobre si as quatro estações.

A quem me acompanhar, deixe para trás os reclamos insalubres e ponha nas costas os quatro pontos cardeais.

Quem ao meu lado for, que tire de si o peso da farsa mortal e ponha sobre si as quatro grandezas humanas.

E diante do grande portal, se deixe cair nos braços do incomensurável.

Como um touro cansado; uma serpente ferida, um leão aflito, uma águia faminta.


...


Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pela sua visão das coisas.Lindo poema!