8 de mai de 2008

Poesia de André Cervinskis

NASCIMENTO DO POEMA

À Nélida Piñon

Este milagre dentro de mim
eu o trago em hábitos
de púrpura e linho.
Tudo que me cerca
é ouro e prata.
E são anteriores ao meu milênio.

Seguro o oceano
e tiro dele o segredo:
Vasos de barro em tecidos orientais.
Cavo a serenidade do abismo
em busca da pedra da saudade.

Trago nas mãos os afagos
das mãos dos soldados de Hitler.
Trago os ruídos de espíritos impuros
Perturbados com a harmonia
da miséria humana.

Poesia. Lágrimas no papel.
Vozes de marfim em mármore frio.
Poema nasce coberto de palavra.

10/08/98
André Cervinskis
PS. Este poema ganhou o 3º lugar no 5º Concurso Poético da Biblioteca Popular de Afogados,
da Fundação de Cultura Cidade do Recife, em abril de 2002.

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